7 de set. de 2010

Idoso ou velho?


Qual será a história da sua vida? Caro jovem, um dia você olhará no espelho e sentirá saudades das gatinhas, das baladas e das espinhas. O tempo é inexorável. Muda tudo. O tempo se alimenta de vida. A vida é uma clepsidra onde naufraga a hora. Dentro desta clepsidra, todos temos a mesma sorte; nascemos cheios de vida, caminhando para a morte.
Podemos ser mais otimistas e dizer que a vida pode ser uma história de muitos anos bem vividos e sempre na esperança de um amanhã melhor, e não uma história apenas de anos que passaram. Todos, um dia poderão ser idosos ou velhos. Poderemos encontrar discriminação ou compreensão. Poderemos encontrar carinho ou abandono. Se quisermos esperar o melhor em nossa futura idade, é preciso que saibamos, hoje, olhar com compreensão e amor nos olhos das pessoas e saber realmente o que elas são: velhas ou idosas. O que você vê nesta imagem?

Podemos ter impressões diferentes ou opostas de uma mesma imagem e podemos ter julgamentos errados no nosso dia a dia quando vemos um idoso e o identificamos apenas como velho.
Idosa é a pessoa que tem muita Idade; velha é a pessoa que perdeu a juventude. A idade causa degeneração das células; a velhice causa degeneração do espírito. Você é idoso quando sonha; você é velho quando apenas dorme. Você é idoso quando ainda aprende; você é velho quando já nem ensina. O idoso se renova à cada dia que começa, o velho se acaba a cada noite que termina. As rugas do idoso são bonitas porque foram marcadas pelo sorriso; as rugas do velho são feias, porque foram vincadas pela amargura.
Em suma, o idoso e o velho são duas pessoas que até podem ter a mesma idade cronológica, mas o que têm são idades diferentes no coração, o que não é o caso do João.
O amigo João, já com 87 anos, foi até o hospital para fazer um curativo na mão ferida. Apressado, dizia que estava muito atrasado para um compromisso importante.
A enfermeira que o atendeu ficou curiosa com a ansiedade dele, e enquanto cuidava de sua mão, perguntou qual era o motivo de tanta pressa.
Com os olhos cheios de preocupação, respondeu que precisava ir a um asilo para, como sempre, tomar café da manhã com sua mulher, que estava internada lá. Disse que ela já estava há algum tempo nesse lugar, porque tinha a Doença de Alzheimer bastante avançada.
Quando acabava de fazer o curativo a enfermeira perguntou ao João se sua esposa não se alarmaria pelo fato de ele estar chegando mais tarde.
- Não, ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece. Estranhando o fato, a enfermeira perguntou:
- Mas se ela já não sabe quem o senhor é, por que essa necessidade de estar com ela todas as manhãs? Ele sorriu e dando uma palmadinha na mão dela disse:
- É, ela não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem quem ela é!

(Jthamiel)