26 de jun. de 2019

UMA QUESTÃO DE ÓTICA, CONCORDA?



Usando de um raciocínio linear hipotético,
exercitando simbiose elementar sincrética,
mesmo com o meu comportamento cético,
sinto na inspiração uma união magnética.

Neste desfile de letras do linguajar fonético,
tentando mostrar beleza e uma boa estética,
me surpreendo muito preocupado e patético,
digitando em tamanho 12 com fonte helvética.

Como sou descrente e até um pouco herético
não me preocupo com literatura ou com ética.
Mas, eu uso com experiência o meu dom poético
e restauro a minha alma nesta manhã profética.

J. Thamiel
Guarulhos, 26.06.19
11:14h

24 de nov. de 2017

20 poemas de presente



DESPEDIDA
Ainda se vê alguns respingos de chuva na janela
e a sombra úmida do meu hálito, o vidro embaça.
Este quarto de lembranças, mas parece uma cela
porque a liberdade está do outro lado da vidraça.

Apressadamente parti, sem mágoa e sem rancor
abandonando a saudade pelos cantos desta casa.
Deixei sobre minha cama, a ferida e a minha dor
e mesmo preso ao passado, eu renasci e criei asa.

J. Thamiel
Guarulhos, 17.10.2018
08:38h


POEMA PRA QUÊ?

Depois de muita coisa poética e bela eu aqui ter lido
comecei a ver frases pseudofilosóficas sem sentido.
Continuo a ler e mesmo sem gostar eu leio até o fim,
procurando por algo, que salve o poema para mim.

Infelizmente me iludo e minha esperança se esvai.
Não sou impassível, resignado, frio e nem estoico.
Não há literatura poética onde a verve se abstrai,
então julgo tal procedimento falso fruto paranoico.

J. Thamiel
Guarulhos, 14.01.2019
10:38h



REFLEXÃO DE UMA GALINHA

E, nesse momento sem antes e sem agora,
os acasos se encontram na intranquilidade
das dúvidas, que nos perseguem por aí a fora,
girando nossas mentes na continuidade
dos desacertos e das não soluções. E embora,

a galinha saiba que, por dia apenas um ovo basta;
ela é uma indagação altiva ciscando no terreiro,
e tem as mesmas dúvidas que seu dono roceiro,
que dorme e ronca na rede, e o próprio tempo gasta.

J. Thamiel
Guarulhos, 29.11.18
11:38h


PRESSÁGIO

Quem feriu a tarde com presságios alvissareiros do amanhã?
Quem arrastou a noite feito coberta acinzentada de solidão?
Eu esperava por um amanhecer de luz e sorridente de louçã,
mas a minha espera se tornou arrítmica no bater do coração.

J. Thamiel
Guarulhos, 09.11.18
13:38h


A trilha

Pode ser que seguindo a vida toda procurando pela luz
 não encontremos uma trilha de pedrinhas diamantes,
que enganosamente nos parece que os outros conduz.
Mas, este entendimento nos transforma em gigantes.

Vai-se a luz e lentamente a escuridão avança.
Da escuridão da trilha não devemos ter medo.
Vamos nos tornando cada vez menos criança,
e rápido, bem mais rápido já vai ficando cedo.

J. Thamiel
Guarulhos, 23.11.2018
08:38h



Não me siga

Eu ouço meu pensamento
ao caminhar contra o vento
procurando achar o pedaço
que eu perdi num tal abraço

de pouca sinceridade,
pleno de futilidade
sem força de criar laços
desperdicei meus abraços

mas com o passar do tempo
no eco calmo do vento
bebendo da lua o brilho
me tornei um andarilho

não tenho sul e nem norte
só vou contando com a sorte
nem tenho pra onde ir
não queira, então, me seguir.

J. Thamiel
Guarulhos, 03.09.18
09:47h


O Caminho do Sol

O sol que caminhou todo um dia perseguindo o horizonte,
deixando para trás um arco íris nos respingos da garoa,
e cansado da quente jornada foi saciar-se em uma fonte
cristalina e tingiu de lilás a morosidade do rio e a canoa.
.
O caminho do sol é semelhante ao caminho da nossa vida.
e deixamos para trás cores e perfumes de nossa boa obra.
Também nos cansamos e procuramos uma fonte e guarida,
mas fazer o bem é a única virtude que esta vida nos cobra.

J. Thamiel
Guarulhos, 30.08.18
14:21h



Nuevo día

Hago hoy poemas de antaño
de la antigua mente de las rimas forzadas
que se encuentran por casualidad, en el ocaso
violáceo del horizonte, donde muere el hoy
en la espera del mañana que nacer
en mi ventana, en la tierra de mi vaso.

J. Thamiel
Guarulhos, 17.05.18
012:47h

Novo dia

Faço hoje poemas de antigamente
da antiga mente das rimas forçadas
que se encontram por acaso, no ocaso
violáceo do horizonte, onde morre o hoje
na espera do amanhã que irá nascer
na minha janela, na terra do meu vaso.

J. Thamiel



Se hizo la luz

Muy anterior al antes
en el hiato de la eterna pausa,
los elementales itinerantes
eran efectos sin causa.

La materia visible y distorsionada
moviendo sin sentido
era una aglutinación enorme
de un nacer comprimido.

Pero, se sabía inevitable
el big bang, la expansión;
y el universo entonces mutable
explotó su corazón.

Sin dirección o sentido,
en el contenido sin continente,
  todo el amor que estaba contenido
se hizo en un universo presente.

J. Thamiel
São Paulo, 25.04.2018
13:26h


Fez-se a luz

Muito anterior ao antes
no hiato da eterna pausa,
os elementais itinerantes
eram efeitos sem causa.

A matéria visível e disforme
movimentando sem sentido
era uma aglutinação enorme
de um nascer comprimido.

Mas, sabia-se inevitável
o big bang, a expansão;
e o universo então mutável
explodiu seu coração.

Sem direção ou sentido,
no conteúdo sem continente,
 todo o amor que estava contido
se fez num universo presente.

J. Thamiel

La magia de la mirada

Mientras, en el mar, tú lavas las manos fáciles de rima,
Hay alguien que hace daño a tus ojos con una sola mirada.
Hay mucha calma en el viento de la tarde, pero no te anima,
Porque es vacío y desierto  los pensamientos de la amada.

Hay ojos que te penetran en la dermis y te huracan tu alma.
Ojos rasantes a la piel, derramados en las espumas, en la vuelta
de las olas, que traen besos mojados y piden calma
y colirio a los ojos, en la paz que trae el blanco de la gaviota.

Hay una magia que controla, que rige, que todo conduce.
Es, con certeza, la energía presente de seres elementales.
Átomos de universo, fracciones de vida, salpicaduras de luz,
vivos en el asado, el agua, la arena, los ruidos astrales.

J. Thamiel
Guarulhos, 06.06.18
11:33h

Mágico olhar

Enquanto, no mar, tu lavas as mãos fáceis de rima,
há alguém que fura teus olhos com enigmático olhar.
Há muita calma no vento da tarde, mas não te anima,
porque está vazio e deserto dos pensamentos do mar.

Há olhos que te penetram a derme e furam tua alma.
Olhos rasantes à pele, vazantes nas espumas, na volta
das ondas, que trazem beijos molhados e pedem calma
e colírio aos olhos, na paz que traz o branco da gaivota.

Há uma magia que controla, que rege, que tudo conduz.
É, com certeza, a energia presente de seres elementais.
Átomos de universo, frações de vida, respingos de luz,
vivos na aragem, na água, na areia, nos ruídos astrais.
J. Thamiel

YHVH

Es enigma la palabra,
sonoridad sin nexo
que la lengua traba
la función del plexo.

La palabra sonora
es en los labios santa,
que la oye llora,
quien conoce encanta.

Reticente sentimiento
de feto a anciano,
pulsante cada momento
ella está en el corazón

para explicar el renacer,
el paso del norte,
la ligereza del vivir,
el túnel, la luz, la muerte.

J. Thamiel
Guarulhos, 25.06.18


zezinhosj@yahoo.com.br

YHVH

É enigma a palavra,
sonoridade sem nexo
que na língua entrava
a função do plexo.

A palavra sonora
é nos lábios santa,
quem a ouve chora,
quem conhece encanta.

Reticente sentimento
de feto a ancião,
pulsante cada momento
ela está no coração

para explicar o renascer,
o encalço do norte,
a leveza do viver,
o túnel, a luz, a morte.

Jthamiel


Talento e bobagem

Tem coisas que leio,
e com certeza creio,
que força do meu entendimento
a sutil acuidade.

Às vezes leio poema
que nem vale a pena,
que fere o meu entendimento,
e isto é uma grande verdade.

Há também grande talento
que se perde no vento,
e foge ao meu entendimento
de arte e criatividade.

É que muitos poetas
Com grande talento
com muita bagagem
em algum momento
escrevem bobagem.

J. Thamiel
Sorocaba, 17.02.18
11:17h



A felicidade

Extremamente entre extremos da minha mente
os gritos dissociativos, em circuitos nevrálgicos,
soam num pedido de socorro terminal plangente,
tão enigmaticamente sem  segredos, tão mágicos.

Sinto a felicidade transitória passeando aqui e ali,
e sem estar à procura de ninguém, apenas anda
sem perceber circuitos, ou alguma rede pra seguir,
mas a cada hora, ela escolhe alguém nesta ciranda.

Então, inexata, ela atinge alguma merecida mente,
e sem conhecer os parâmetros da vertente cibernética,
levianamente e sem a acepção, ou merecidamente,
sem explicação, te traz a paz da tranquilidade poética.

J Thamiel
23.01.18
09:46h

Perdido 

No meu fio de barbante
qual teia de aranha
salpicada de orvalho,
uma conta brilhante
tremula na luz e se assanha.

Como fino liame
que me amarra ao presente,
mas não se desprende do ontem
heroico ou infame,
recatado ou indecente.

Meu rosário eu desfio
e orando preces de fé,
vejo nos vitrais a minha imagem,
mas comigo eu não a associo
e não reconheço quem é.

J. Thamiel
Guarulhos, 01.12.17
22:50h



Poeta universal
Acima de mim nada mais havia que atros finais extremos.
Meu vulnerável corpo sofria o atrito do ar nas vertiginosas
viagens nos mares etéreos em minha nau sem vela ou remos.
Não tinha tempo para avaliar as minhas falhas desastrosas.

Fraco, gutural, quase inaudível, definhando nas profundezas,
foi que ouvi um pedido de socorro em um  canto do universo.
Naufragado em plasmas estelares, pleno de dúvidas e certezas,
salvei um poeta, que nadava no éter e arrancava dali um verso.

J. Thamiel
Guarulhos, 28.11.17
02:04h



Leve e solta 
Brisas leves e soltas
sopravam junto a mim.
Borboletas leves e soltas
esvoaçavam no jardim.

Flores de encantos bordados,
vaidosas sorriam para mim.
Perfumes leves, airados,
pareciam de jasmim.

Minha vida é solta e leve,
e minha alegria é leve, enfim.
Felicidade mesmo que breve
é você perto de mim.

J. Thamiel
Guaruhos, 14.11.17
07:32h

Mesa de bar 
Dois copos de chope sobre a mesa:
bailarinas alemães,
grinaldas de espuma.
Fumaças fúteis, vãs,
se soltam uma a uma
formando um nevoeiro
a partir do meu cinzeiro.

Sobre a rasgada toalha
de tecido xadrez-mortalha,
alguém passou por ali e pôs
um grãozinho de feijão, outro de arroz.

Na minha frente,
de maquiagem carregada,
tentando ser como a gente,
embriagada desde cedo,
a rapariga que me mete medo.

Eu acho que bebi demais...
O feijão (repara!)
tem um olho na barriga e me encara,
e me segue os movimentos.
E este grãozinho de arroz,
que está me apontando o dedo.
deve ser uma caixinha de segredo.

J. Thamiel
Guarulhos, 22.11.17
19:55h


Perdão 
Estou disfarçando a tristeza
andando pela beira do mar
devorando a natureza
bebendo o  céu e o luar.

Eu nem sei para onde ir
e se meu pensamento vagueia
é a ele que eu vou seguir
nos meus rastros nesta areia.

Vou me purificar nesta água
e a mim mesmo pedir perdão,
para me livrar de toda mágoa,
reconquistar o meu coração.

J. Thamiel
Guarulhos, 06.11.17
09:15h

Vida simples 
Vejo o dia que amanhece
e a neblina que se esvai.
A luz do sol é uma prece
que do coração de Deus sai.

Um novo dia que chega
e eu admiro da janela.
O cobertor me aconchega,
mas, eu sinto a falta dela.

Era ainda manhãzinha
e ela já estava de pé.
Em silêncio na cozinha,
tá preparando o café.

Esta é a uma vida modesta
que eu e ela levamos.
Tudo é alegria e festa
por isso a Deus louvamos.

J. Thamiel
Guarulhos, 16.11.17
00:21h

Chega de prosa
Aqui é lugar de poesia
como sob uma lápide é lugar de carne fria.
Sobre o túmulo podemos ter
versos, flores, ramos, rosas,
mas nunca uma extensa prosa.

Para quem ali tranquilo jaz,
verso ou ramos ou a rosa tanto faz.
Não há pressa, prosa ou poesia,
que a lápide sempre continuará fria.

J. Thamiel
Guarulhos, 21.11.17
13:28h

25 de out. de 2017



TROAM  
TROVAS  TRIVIAIS

é um ensaio poético que tenta mostrar a ansiedade, a loucura, a inconstância, as fantasias incontroláveis de quem escreve poesias. Na verdade, o poeta nem sabe o motivo por que escreve e nem para quê.  Ele apenas tira de dentro de si o que eleva sua alma e ao mesmo tempo a atormenta. Poesia é para loucos e para poucos. Quem lê, sofre da mesma insanidade que padece quem as escreve, então consegue perceber a vida, a vibração e o poder que mora na essência de cada palavra,  e que só se manifesta quando a pronunciamos.  



Seguem algumas tiradas do livro aleatoriamente:


Sonhos são eternos
Hoje eu acordei com saudades de você.
Estava um tanto sonolento e cansado.
Ao me virar na cama, quase sem querer,
esbarrei em você sorrindo ao meu lado.

Foi muito bom, mas eu tive que acordar.
Tinha sonhado com você a noite inteira.
Nem sei se acordei porque vivo a sonhar.

Sonhos são eternos e a vida passageira.

Vento andaluz
Se eu soubesse segurar
as rédeas que prendem o tempo
eu iria galopar
livre no dorso do vento.

Iria arrancar poeira
nas estradas do futuro
ultrapassando a barreira
onde for que me aventuro.

Iria riscar o céu
com meu vento andaluz
e fazer um fogaréu
nas estrelinhas da cruz.

Iria dar um passeio
pelas praças do futuro
e só eu ia saber
o que há detrás do muro.

Iria chegar ao portal
e ultrapassar adiante
pra desvendar o imortal
factual hierofante.


Minha elegante gravata
Sobre o meu criado mudo
fica a minha clepsidra.
Ela é supérflua, contudo
me dá a medida da vida.

Areias na clepsidra
são corpos e tempo que caem.
É eternidade perdida
e sonhos que se esvaem.

Pela clepsidra suicida
escorrem corpos humanos
em lânguida sonolência,
demência,
sonhos insanos.

No bojo da clepsidra
todos tem a mesma sorte;
nascemos todos pra vida
e caminhamos pra morte.

Sobre a minha escrivaninha
fica o cinzeiro velho;
e de bronze, como enfeite,
deixo meu escaravelho.

O amarelado retrato
tirado há 10 anos, eu acho,
vou deixar ele virado
de cabeça para baixo.

Eu só queria dizer
que a curiosidade mata:
Quem será que vai usar
minha elegante gravata?


Presente do futuro
A vida é feita de pedaços:
bons pedaços de presente.
Os presentes vêm inteiros.
Presentes constantemente
se desfazem em pedaços.

Pedaços bons de passado,
foram maus e bons pedaços.
Procurando o meu futuro,
vou seguindo no encalço
pisando um passo forçado.

Vou domando o escuro,
porque Deus está presente,
na experiência vivida.
Isto é verdadeiramente
meu presente do futuro.

O primeiro poeta
O primeiro poeta, como você sabe, foi um ser lendário,
que deu vida e significados a todas as palavras,
para poder assim formar seu dicionário.

Transformou adjetivos e predicados em ilusões,
só para poder tocar os corações.

Como não sabia o que fazer com os agitados verbos
elegeu todos eles como seus fiéis servos.

Na poesia as palavras são seus atores e atrizes
O poeta tem nas mãos a inspiração e as diretrizes.
Os adjetivos emprestam a ele qualidades e beleza.

Os verbos são atitudes e ações com violência e leveza.



Quando Deus cochila 
Deus fala com os rios e com os mares,
conversa com os montes e montanhas.
Ele está presente em todos os lugares,
Ele conhece da natureza, as façanhas.

Deus fala aos abismos e cachoeiras.
Sussurra aos bosques e às florestas.
Alí, a sinfonia das aves é uma festa,
onde matas e águas são fronteiras.

Deus interage com toda a natureza,
e pede que nos empreste sua beleza.
Deus fala no silêncio com todos nós
e espera que escutamos a sua voz.

Deus é acima da religião e da ciência.
E tudo está na sua vontade submerso,
então, Ele espera com divina paciência,
e enquanto cochila, cria outro universo.

E as vacas?
As vacas, empoleiradas nas estreitas trilhas
da encosta verde, suave da montanha,
balançam os penduricalhos das gargantilhas,
enquanto cada uma a grama abocanha.

Alheias aos motores dos caminhões na rodovia,
ruminam cabisbaixas sonhos e pensamentos.
Calmas, complacentes, indiferentes ao dia,
justificam suas vidas com frágeis argumentos.

J. Thamiel