23 de abr. de 2014

Se-pa-ra-do ou seria melhor tudojunto?



Está muito na moda se falar em inclusão, mas até que ponto vai a relevância desse discurso? Quem garante que esta é a vontade do pai. O Pai quer “tudojunto” ou “se-pa-ra-do”? Os pobres convivem com os ricos? No meio de vós sempre haverá pobres; ao passo que Eu não estarei sempre convosco».(Jo 12,8)
Deus nos criou desiguais... Não dá para colocar “tudojunto”, o santo e o profano, como disse o apresentador Luciano Huck ao receber em seu programa, o pregador “X” em meio a uma salada mista de convidados que incluíam cantores de funks com letras indecentes e outros de pagodes com letras de duplo sentido: “O santo e o profano tudo junto misturado aqui no Caldeirãããããão!!! Quem gostou faz barulhoooooo!!!”.    
Não dá para colocar “tudojunto” no mesmo caldeirão, Cristo, Buda, Krishna e Kardec. Eles podem ter visão parecida sobre a não violência, amor fraternal, etc. mas, e o fundamental para o Cristão? O fundamental é muito diverso no tocante à redenção e vida eterna, ao juízo final e à ressurreição dos mortos. Pode parecer, mas não é apenas uma diferença cultural. É necessário que haja sempre as diferenças e as desigualdades, e daí as separações. A criação de Deus é ordenada e de suma perfeição. Ordem significa perfeição e a perfeição só é possível porque os seres foram criados com diferenças, com desigualdades.



Pois bem, os irmãos não nascem nem permanecem todos iguais: uns são fortes, outros débeis; uns inteligentes, outros incapazes; talvez algum seja normal, e também pode acontecer que se torne indigno. É pois inevitável uma certa desigualdade material, intelectual, moral, numa mesma família (...) Pretender a igualdade absoluta de todos seria o mesmo que pretender idênticas funções a membros diversos do mesmo organismo(Pio XII, Discurso de 4-VI-1953).    
A ordem exige desigualdade. Não é possível ordenar entre si coisas iguais. Ninguém pode colocar em ordem alfabética 30 nomes iguais. Ora, como vimos Deus fez tudo com ordem. Logo, Deus tinha que fazer tudo com desigualdade. A ordem reflete o grau de inteligência do ordenador. Deus criou tudo de forma ordenada, unida (como um todo) e separada (Sto Agostinho). Amar o “tudojunto” e o “se-pa-ra-do” é amar o criador.


Cada um no seu quadrado. Somos sempre separados porque cada um é um indivíduo único, “se-pa-ra-do” e desigual de todo o resto. Que horrível seria se fôssemos “tudojunto”, todos iguais, com a mesma cara, mesma altura, mesmo peso, mesmas virtudes, mesmos defeitos. Freqüentaríamos os mesmos lugares, ocuparíamos os mesmos espaços, teríamos as mesmas atividades, etc... Somos indivíduos, porque somos únicos, individuais e “se-pa-ra-dos” e por sermos assim, Deus nos conhece um a um pelo próprio nome. É confuso. Eu entendo que pelo maior mandamento, temos que nos amarmos, sendo “se-pa-ra-dos” e convivendo “tudojunto”. O joio deve estar afastado do trigo. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são bons. (São Mateus 13,49) - Todos os povos da Terra se reunirão diante d'Ele, e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos (São Mateus 25,32).  Se a religião é para nos ligar a Deus, então é dele que nunca devemos estar se-pa-ra-dos. - Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (Romanos 8,35) - Nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 8,39)